BES AGÊNCIA DE ALTURA

O conceito que se desenvolveu para o novo edifício da Agência do Banco Espírito Santo em Altura teve com ideia fundamental a de criar um espaço emblemático, ao abordar o projecto na perspectiva não apenas da construção dum edifício, mas sobretudo na criação de um espaço à escala urbana, de uma "praça", aproveitando a localização e configuração em "ilha" daquele lote.

Da visita ao local ficara a ideia de que não existia em Altura um espaço central com qualidade, que preenchesse a função de "centro". A construção desordenada de edifícios sem aparente qualidade, reflexo do crescimento rápido dum turismo sem exigências, conferia à envolvente uma imagem de "terra de ninguém".

A partir do momento em que se abordou o lote como se tratasse de uma "praça", e que esse novo espaço público passaria a ser um ponto de referência em Altura, o projecto ganhou uma nova escala.

A nova construção do pequeno edifício da agência, seria parte integrante e indissociável do espaço da "praça central". Esta viria a ser orientada a nascente, a uma cota elevada em relação às ruas envolventes, tendo acesso por rampas e passadiços laterais ao edifício.
A articulação do edifício com o espaço público seria feita através de um espaço de transição, um enorme espelho de água.

O edifício desenvolveu-se numa sequência de volumes opacos e transparentes, correspondendo a um programa de espaços interiores semi-privados e públicos, garantindo privacidade e permitindo ao mesmo tempo um enquadramento de vistas sobre o espelho de água e a praça.
Finalmente a escala que viria a caracterizar o edifício da Agência BES como edifício institucional seria garantida pelo grande pórtico em betão que cobriria todo o conjunto edificado, incluindo o espelho de água, projectando sombras sobre o espaço da nova "praça BES".

A abordagem aos aspectos da escala e da cor foi um desafio interessante e possível graças a um trabalho de ensaios desenvolvido directamente com a Viúva Lamego.

O azulejo verde teve um papel fundamental na imagem que se criou, reforçando o conceito de "edifício marca" que se pretendia: cor e material assumiram o papel principal neste projecto.

O edifício da agência foi revestido num padrão especial de losangos em 4 tonalidades de verde, valorizando a sua função institucional e de protagonista do espaço da praça. Um azulejo de 14x14 também em 4 tonalidades de verde, "pintou" o interior do pórtico e do espelho de água.

A "imprevisibilidade" de efeitos do azulejo vidrado e brilhante permitiu, por sua vez, reflexos surpreendentes de verdes e dourados da luz, desmaterializando a massa construída e espelhando cor no plano de água e fachadas.

The underlying concept for the new Branch of the Banco Espírito Santo in Altura was to create a unique space, the approach being not merely to construct a building, but to create a space on an urban scale, a "marketplace", using the location and the building as an island within it.
From a visit to the site it was clear that there was no upmarket area in Altura which fulfilled the role of a "centre". The disorderly construction of buildings with no apparent attention to quality, a reflection of the rapid unchecked growth of tourism, gave the surroundings the air of a "no-man's land".
The moment the land was approached as if it were a "square", and this new public space became a reference point in Altura, the project took on a different aspect.
The new construction of a small branch building became an integral part of the "central square". It faced west, was raised up in relation to the surrounding streets and accessed via ramps and walkways at the side of the building.
The communication between the building and the public space was achieved through a transitional space, an enormous reflecting pool.
The building grew from a series of opaque and transparent volumes, corresponding to a programme of interior semi-private and public spaces, guaranteeing privacy, while allowing a framework of viewpoints over the reflecting pool and square.
Finally, the scale that would characterize the building of the BES bank as an institutional building would be ensured by the concrete portico covering the whole building, including the reflecting pool, casting a shadow over the new "bank square".
The approach to aspects of scale and colour was an interesting challenge and was made possible thanks to a series of models developed directly with the Viúva Lamego ceramic factory.
Green tiles played a key role in the image created, reinforcing the concept of the desired ''trademark building'': colour and material assumed the principal role in this project.
The building was clad in a special pattern of square tiles, in 4 shades of green, enhancing its institutional function and its key position in the square. Tiles measuring 14x14cm, also in 4 shades of green, covered the interior of the portico and the reflecting pool.
The "unpredictability" of the effects of shiny glazed tile provided, in turn, surprising reflections of green and golden light, deconstructing the building's solidity and mirroring the colour on the surface of the water and the façades.

Dados técnicos:.
projecto: arquitetura

Localização: Altura, Algarve

Datas: 2005 - 2008

Arquitectura: Ana Monteiro da Costa

Colaboradores: Filipe Cardoso, Mafalda Lacerda, Maria Carvalho

arranjos exteriores: Leonor Cheis
NPK, Arquitectos Paisagistas Associados, Lda.

Estruturas: Vasco Farias
Vasco Farias, Engenheiros Consultores Lda.

Instalações: Luí­s Andrade, Henrique Leal
PEN, Projectos de Engenharia, Lda.

Águas e esgotos: J. Medina
Solgen, Serviços de Engenharia Lda.

Cliente: Banco Espí­rito Santo

Fotografia: FG + SG

imagens 3d: David Lacerda

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