Interface

Interface Fluvial do Terreiro do Paço

A ESTAÇÃO SUL E SUESTE

O núcleo inicial do Interface existente é constituído pela "Estação Fluvial do Terreiro do Paço" terminal urbano das linhas ferroviárias do Sul e Sueste que partem do Barreiro projectada pelo arquitecto José Ângelo Cottinelli Telmo (1928). À data da sua conclusão (1932), este era o primeiro equipamento de promoção oficial colocado à disposição do público com uma expressão de modernismo internacionalista.
O crescimento do tráfego fluvial e as alterações entretanto introduzidas nos serviços deram lugar a um complexo de diferentes necessidades que conduziram à construção de sucessivas ampliações e adaptações, nem sempre em articulação com esse edifício inicial e com uma qualidade arquitectónica e construtiva que lhe é bastante inferior.


O PROJECTO

A construção da estação do Metropolitano de Lisboa no Terreiro do Paço constituiu o pretexto fundamental para o lançamento deste Projecto de Alteração e Ampliação da estação existente. Os princípios de exploração foram reequacionados em função dos novos dados - sobretudo da escala dos fluxos previstos -, procurando assegurar-se os níveis de eficácia, de acessibilidade, de segurança e de conforto adequados a um equipamento deste tipo, de acordo com os padrões actuais. Foram definidas as novas necessidades programáticas quanto a espaços de circulação e de permanência de público, dos serviços de exploração e serviços de apoio. Foi criticamente avaliada a capacidade de as construções e os espaços existentes poderem corresponder às novas necessidades de um modo equilibrado e em respeito pela sua vocação e caracterização arquitectónica originais.


O corpo principal do edifício original da Estação Fluvial do Terreiro do Paço, projectada pelo arquitecto Cottinelli Telmo será integralmente recuperado, mantendo as suas funções de grande átrio/ vestíbulo do Interface e a sua qualidade de espaço de representação.
Já o corpo nascente, da antiga Sala de Bagagens do edifício original, passará a funcionar como átrio principal de passageiros, reproduzindo a escala e dimensão do Edifício principal, sendo um espaço generoso destinado à previsível pressão dos grandes fluxos de passageiros originados pela nova saída de metropolitano.

A nova construção do edifício contíguo ao novo átrio, destinado a áreas de serviços e comércio, será caracterizado como edifício de acompanhamento, de expressão despojada.

Entre o plano da fachada da Estação Fluvial (lado rio) e o bordo do cais, no espaço actualmente ocupado por um conjunto heterogéneo de construções dissonantes e degradadas, será construída uma estrutura longitudinal de dominante horizontal destinada a conter as salas de espera e a estabelecer a articulação entre os pontões de embarque e os átrios, bilheteiras e demais áreas funcionais.
Pretende-se que este corpo constitua uma frente unitária à aproximação a partir do rio e que apresente uma expressão autónoma em relação ao edifício original da Estação Fluvial. A volumetria desta nova estrutura garante a franca visibilidade do edifício da Estação Fluvial a partir do rio.

Neste projecto, os materiais assumem grande importância, pondo em relevo alguns dos aspectos conceptuais da solução arquitectónica.
Na Frente Terra, a constituição dos novos edifícios remete para uma reinterpretação da volumetria e das proporções do edifício de Cottinelli Telmo. No entanto, onde naquele edifício prevalece o jogo de claro-escuro decorrente da modelação das superfícies num único material de acabamento (o reboco branco), na nova construção procurou-se utilizar uma paleta de materiais que na sua conjugação, revelasse discretas mudanças de cor e textura, preservando assim o carácter abstracto e depurado da nova construção, reforçando mais uma vez, a ideia de uma "arquitectura de acompanhamento".

Assim, na solução proposta, toda a construção nova voltada à praça será revestida a azulejo Viúva Lamego. Este azulejo "em onda" foi concebido especialmente para o projecto, criando uma superfície reverberante e texturada, que "desmaterializa" a construção nova, procurando uma integração harmoniosa com a envolvente pombalina e uma relação equilibrada com o edifício principal existente.

TERREIRO DO PAÇO RIVER INTERFACE

The nucleus of the existing Interface is the "Terreiro do Paço River Station" - the urban terminal for the South and Southwest railway lines which start from Barreiro - designed by architect José Ângelo Cottinelli Telmo in 1928. When work finished in 1932, this was the first official public facility in the international modernist style.
The growth in river traffic and the subsequent alterations in services led to a complexity of different needs and a series of extensions and adaptations, not always in keeping with the original building and considerably inferior in architectural quality.

THE PROJECT

The construction of the Lisbon Underground at Terreiro do Paço provided the basic pretext for launching the Alteration and Extension Project of the existing station. The principles behind the development were adjusted in the light of new data- particularly the scale of predicted passenger traffic - in an attempt to ensure levels of efficiency, accessibility, safety and comfort required for a facility of this type, in accordance with current standards. New requirements were defined regarding spaces for the flow and congregation of people, retail and support areas. There was a critical assessment of how far existing buildings and spaces met these new requirements in a balanced way in terms of their original purpose and architectural characteristics.
The original main facility at Terreiro do Paço River Station, designed by architect Cottinelli Telmo, was to be completely renovated, maintaining its function as the grand atrium/vestibule of the Interface and its character as a representational space.
The western end, the former Luggage Room, would become the main passenger hall, maintaining the scale and dimension of the original building, being a large space suitable for handling the predicted increase in passenger numbers with the opening of an exit from the new underground station.
The new construction adjacent to the new hall, destined for service and commercial use, would be seen as a support building and be spartan in character.
Between the façade area of the River Station (on the river side) and the edge of the quay, in an area currently occupied by a series of clashing and run-down buildings, a longitudinal structure, largely horizontal in character, would be erected. This would contain the waiting areas and establish a link between the embarkation pontoons and the halls, ticket offices and other functional areas.
The idea was that this structure would provide a uniform approach from the river and would be autonomous in relation to the original River Station building. The bulk of this building would guarantee clear visibility of the River Station complex from the river.
Materials assumed an important role in this project, highlighting some of the conceptual aspects of the architectural solution.
On the Land Side, the erection of new buildings demanded a reinterpretation of the volume and proportions of the Cottinelli Telmo building. However, while in this building the dominant effect was of an interplay of light and shade from the surfaces due to the use of a single material (white plaster), in the new building there was an attempt to use a range of materials which in combination caused discrete changes in colour and texture, maintaining a more abstract and purer feel, and reinforcing once again the idea of "supporting architecture".
Thus, the project proposal was for a new building facing towards the square covered in Viúva Lamego tile. This "wavy" tile was designed specifically for the project, creating a reverberating and textured surface, "deconstructing" the new structure and attempting a harmonious integration with its Pombaline surroundings and a balanced relationship with the existing station building.

Dados técnicos:.
Arquitetura
Lisboa
2003 - 2011
Ana Costa, Andreia Lima, Antônio Gomes, Filipe Cardoso, João Paulo Martins, Mafalda Lacerda, Maria Carvalho, Vasco Mendia, Sérgio Spencer, Teresa Costa

CLIENT: Metropolitano de Lisboa

3D VISUALIZATION: David Lacerda

PHOTOGRAPHS: Telmo Miller, Fotografia; FG+SG - fotografia de arquitectura; Ana Costa - Arquitectura e Design

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